Terça-feira, 1 de Abril de 2008

Bolsa de Valores e Índices Bolsistas (3)

Importância dos Mercados de Capitais/ Bolsas de Valores no Desenvolvimento Económico

A maior dinâmica da economia mundial, movida pelo fenómeno da globalização, está na origem da grande expansão da circulação de fluxos de capitais e do comércio livre, culminando com a criação de oportunidades de acesso aos mais variados mercados de capitais, contribuindo para o enriquecimento do portfolio de investimentos.

A economia globalizada impõe condições desafiadoras, principalmente para mercados emergentes. A crescente complexidade dos mercados e a volatilidade dos fluxos de capitais, exige maior compreensão sobre o conceito do Mercado de Capitais (MC) e em particular a Bolsa de Valores (BV), permitindo potenciar os agentes económicos de capacidades para avaliar activos reais e financeiros, analisar tendências, desenvolver estratégias, entender os seus fundamentos teóricos e a sua importância na economia.

O fortalecimento do mercado de capitais é um passo fundamental para a garantia do financiamento de longo prazo da economia, um suporte muito importante para um crescimento e desenvolvimento sustentáveis do país.

O Mercado de Capitais sendo o maior dinamizador do sector financeiro contribui para a consolidação da correlação existente entre o sector e a taxa de crescimento de longo prezo da economia.

Este mercado constitui um elemento essencial para o desenvolvimento, sobretudo para países em desenvolvimento como Moçambique, na medida em que constitui uma alternativa muito forte para o financiamento dos investimentos, sendo também uma via segura de entrada de investimentos externos ou acesso a fontes de financiamento internacionais, bem como, aplicação de poupanças com rendimentos mais elevados.

Através dos ganhos de produtividade que proporcionam às empresas, lança bases para o aumento da competitividade, expansão de investimentos e empregos.

Facilita os processos de privatização, contribuindo para que o preço das transacções entre o estado e os investidores seja mais justo.

Permite um conhecimento mais fácil do valor das empresas e a alocação do capital de acordo com esse valor.

Facilita a gestão do risco e as transacções entre os agentes económicos e contribui para o aumento da eficiência, transparência empresarial e incentiva a gestão profissional das grandes empresas, sendo estimuladas a buscar melhores resultados através do acompanhamento por especialistas de instituições financeiras e dos investidores institucionais, bem como a fiscalização dos accionistas e dos credores. Ainda, a subida das cotações e o aumento da confiança aos instrumentos colocadas no mercado (acções, obrigações, etc) pela empresa depende do seu bom desempenho e do seu reconhecimento por outros agentes económicos ou pelo público no geral.

O mercado de capitais, influencia a redução das taxas de juros e dos custos de transacção, pois aumenta a disponibilidade de fontes de financiamento, o que leva a uma concorrência desenfreada entre os intermediários financeiros, favorecendo por fim os investidores.

Tal acontece porque as taxas de juro das obrigações são mais atractivas do que das do depósito a prazo, o que pode levar aos bancos a reagir criando contas especiais com remunerações próximas ou iguais, favorecendo aos aforadores.

O mercado das obrigações incentiva desta forma a poupança, que se repercute na maior disponibilidade de fundos na economia, a um custo mais baixo.

Investir em obrigações, tem a vantagem de se poder recorrer à cobrança do capital e dos juros a qualquer momento, o que não acontece com os depósitos a prazo, onde é obrigatório realizar essas operações só no período de vencimento, sob pena de perder os juros no caso de levantamento antes do prazo.

Normalmente, o Estado para atender às suas despesas correntes emite títulos de dívida de curto prazo, os conhecidos por Bilhetes de Tesouro. Mas, quando se trata por exemplo de construir uma rede de estradas ou introduzir uma reforma ao nível da educação, há toda uma necessidade de recorrer à dívida de médio e longo prazos, sendo neste caso o Mercado de Capitais a solução, podendo reduzir desta forma a tendência de endividamento e dependência da volatilidade de capitais externo.

A dívida interna, para além de incentivar a poupança interna, é vantajosa pois aumenta a liquidez na economia, pois os juros revertem normalmente a agentes internos evitando assim a dolarização da economia e garantido a confiança e estabilidade da moeda interna.

O mercado de capitais está na raiz da inovação tecnológica que melhora o desempenho da economia. Um mercado de acções encurta o caminho em direcção ao aumento da produtividade porque pode conduzir à:

Diminuição de riscos

Um mercado de capitais dilui os riscos inerentes aos investimentos. Os riscos são melhor administrados quanto mais liquidez houver no mercado. Nestas condições de riscos diluídos o investidor tende a distribuir seu capital por um número mais amplo de empresas e a aumentar suas apostas em novos projectos de base tecnológica, justamente os de retornos mais promissores, ainda que de maiores riscos. Trata-se de um círculo virtuoso que conduz a economia de um país a patamares mais elevados de competitividade.

A falta de aposta a um mercado de capitais dinâmico, pode minar as bases que poderiam assegurar fontes novas de financiamento para investimentos em empresas com propensão à inovação. O país pode perder a chance de alterar seu perfil tecnológico e permanecer amarrado à produção de bens e serviços tradicionais e de menor valor no mercado global, o que também prejudica o desempenho da balança comercial.

Facilidade das fusões

O ambiente de competição globalizada tem imposto às companhias condições de sobrevivência mais exigentes. Tornou-se comum a realização de fusões, associações e parcerias. São formas de permitir a criação de empresas com poder para actuar no novo cenário mundial. O objectivo é elevar a escala de produção, aumentar a produtividade, reduzir custos e, como consequência, assegurar quotas maiores de mercado.
Um mercado de capitais forte tende a facilitar este movimento. As grandes fusões são movidas elevadas somas de dinheiro. Com alta liquidez, as acções das empresas envolvidas nos negócios tornam-se a moeda que os viabiliza. O mercado accionário transforma-se, assim, na alavanca destas operações tão comuns na actual etapa do capitalismo global. Em síntese, maiores escalas de produção dependem da fusão de companhias, que serão tão mais fáceis quanto mais desimpedidas forem as trocas de acções, cujo valor será tão mais elevado quanto maior for a liquidez do mercado.

As empresas nacionais são vulneráveis perante concorrência internacional. Com o fortalecimento do mercado de capitais, maior será a liquidez da economia, contribuindo para o fortalecimento das empresas e geração de mais riqueza e empregos no país.

Fortalecimento das actividades de "venture capital"

As empresas capital de risco são empresas especializadas em descobrir inovações e transformá-las em grandes negócios. Elas estão no meio do caminho entre a boa ideia e o lucro que daí pode advir. Com o papel de correr riscos em busca da melhor aposta. Descobrindo, entre milhares de projectos, um que se transforme num bom negócio. E é justamente neste aspecto que as "venture capital" auxiliam o desenvolvimento tecnológico. Elas acabam se tornando numa alavanca que induz a pesquisa e viabiliza novas tecnologias porque as transformam em negócios viáveis e passíveis de serem comercializados.

A propensão dos investidores em colocar seus recursos em projectos empresariais com grande capacidade de retorno mas com alto grau de risco, está ligada à institucionalização de portas de saída desimpedidas. As apostas das "venture capital" têm um prazo médio de maturação, depois do qual elas podem ou não se transformar num bom negócio. Um mercado accionário que dispõe de liquidez e, por isto, comporta riscos é a maior garantia de que o capital investido em boas ideias poderá traduzir-se em bons investimentos. É a robustez do mercado que dá acolhida à Oferta Pública de Acções, selando, assim, a mutação de uma proposta original em um negócio que pode interessar a qualquer investidor em acções.


CONTINUA COM:
(1) Índices Bolsistas e

(2) Segurança Social (INSS) e Fundos de Pensões – sobre este assunto confira meu comentário AQUI. E ainda, só para reforçar a importância deste assunto, cerca de 25% das acções de empresas nos Estados Unidos são detidos por Fundos de Pensões.

6 comments:

Ditaur disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Fenridal disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Carlos Serra disse...

Eugénio, cuidado com os tipos que deixam ficar anúncios como esses. São, regra geral, emissores de vírus,sistema cada vez mais em voga. Abraço.

Eugénio Chimbutane disse...

Professor,
Obrigado pelo alerta.
Os tipos já actuam na blogsfera.
Que maldade!

TV Digital disse...

Hello. This post is likeable, and your blog is very interesting, congratulations :-). I will add in my blogroll =). If possible gives a last there on my blog, it is about the TV Digital, I hope you enjoy. The address is http://tv-digital-brasil.blogspot.com. A hug.

Raoni disse...

Olá Eugenio,
trabalho na mesa de operações da Eum corretora de valores e me interessei bastante pela sua página. Estruturo operações para clientes PF, já que esse é o foco do nosso negócio, e estou procurando parceiros na internet que possam me indicar novos clientes. Gostaria de propor uma parceria que se baseia no incentivo financeiro por cadastro que o senhor pudesse me enviar e fosse efetivado com sucesso na corretora. Peço, por favor, entre em contato comigo para podermos negociar de forma mais formal.
Tel: 3525 3510
Cel: 7464 0464
E-mail: raoni@eum.com.br
Obrigado pela atenção.
Raoni Going.